A novela "Pé na Jaca" acabou de resgatar, no capítulo de hoje, o vocábulo maquilage, ato ou efeito de maquilar, o mesmo que maquilagem, aquele francesismo, este o aportuguesamento respectivo, de uso pouco conhecido, por ter sido substituido pela corruptela maquiagem (e correlatos: maquiar, maquiador, maquiadora). O substantivo maquillage e o verbo maquiller, franceses, deram origem ao nosso substantivo maquilagem e verbos maquilar e maquilhar. Antes, talvez dois anos atrás, a colunista Hildegard Angel também usou um desses vocábulos. Fiz-lhe uma correspondência parabenizando-a, nem sei se a recebeu. Esquecia-me dos profissionais da maquilagem, o maquilador e maquiladora (maquilleur, maquileuse).
O fato ocorreu na fala do ator Tourinho.
sábado, 24 de fevereiro de 2007
Assinar:
Postar comentários (Atom)

2 comentários:
Machado de Assis, em sua crônica Bons Dias de 7 de março de 1889, criticou a tentativa de neologismos iniciada pelo Sr. Dr. Castro Lopes (1827-1901) com o intuito de acabar com palavras e frases francesas.
Propõe ele, Castro Lopes, preconício para substituir o termo equivalente à palavra francesa reclame,que é o nosso reclamo, propaganda ou divulgação.
Também lucivelo para abat-jour, o nosso abajur.
Machado , contrário a essas mudanças sem sentido, ainda tentou usar outro termo para pince-nez, mas quando soube que em Portugal seu equivalente era luneta-pênsil, preferir o primeiro. Surpreendeu-se também quando encontrou uma loja anunciando a venda de nasóculos.
Outro neologismo, já em voga na época era petimetre, oriundo de petit-maître.
Usar guarda-cara ou cendal, uma tradução para cache-nez (cachenê) era para ele, Machado, de extremo mau gosto.
Ele cita também o neologismo focáler, mas este eu confesso que não tenho a menor idéia do que seja.
Um dos únicos que, tempos depois, conseguiu se impor foi, penso eu, croquete, em substituição a f ilet de boeuf ou lombo de vaca.
Não quis também o substituto bocados de senhoras para bouchées de dames (que mais uma vez não sei o significado) para, “pelo equívoco da palavra”, não dar idéia de antropofagia.
Machado de Assis suspeitava de que esta atitude de Castro Lopes “vinha da obstinação com que o digno professor ia bater à porta latina, antes de saber se tínhamos em nossa própria casa a colher ou o garfo necessário às refeições ”.
Cita na crônica de 22 de março do mesmo ano: “Com efeito no dia em que eu, pondo os meus nosóculos, comprar um focáler e um lucivelo, elo, para fazer preconício na Concião, se não falar volapuk, é que estou falando cartaginês.”
Muitas palavras francesas foram aportuguesadas: ateliê, abajur, boate, batom, chofer, detalhe, garçom, marrom, vermute, bufê, toalete, garagem, recorde, só para citar algumas.
Ernani Nascimento
Postar um comentário